Saúde
A relação entre a depressão e oscilações hormonais
A atriz Sophie Turner, intérprete da personagem Sansa Stark, na série Game of Thrones, revelou que problemas hormonais levaram à doença.
Sophie Turner
A atriz Sophie Turner revelou em entrevista ao podcast "Phil in the blanks”, que já pensou em suicídio. Foto: Shutterstock

Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante do planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dados como esse revelam a importância de falar sobre o tema e destacar iniciativas como o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. 

A campanha que acontece desde 2015, ajuda a prevenir novos óbitos, já que em 90% dos casos o suicídio pode ser evitado. Atualmente, o problema tornou-se caso de saúde pública. No Brasil, por exemplo, o suicídio está entre a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. As informações são da pesquisa realizada em 2017 pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade realizado pelo Ministério da Saúde. 

A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta, principalmente, o emocional do indivíduo, tornando o vulnerável a oscilações de humor, distúrbios de sono e uma total apatia pelas coisas em que antes sentia prazer. Em geral, o depressivo precisa lidar com uma das principais características da doença: a anedonia. Citada pela primeira vez em 1896 pelo psicólogo francês Théodule-Armand Ribot, a condição inibe o indivíduo de manter hábitos que lhe causavam prazer impedindo-o de ter uma vida feliz e saudável. 

A depressão é uma doença multifatorial, em que vários fatores contribuem para o seu surgimento, entre eles, as alterações hormonais. Um trabalho divulgado em 2017, pelo Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, revelou que hormônios desregulados podem favorecer o surgimento da doença.  Disfunções em hormônios como cortisol, corticotrofina, estrogênio, progesterona e T4, ou a falta crônica deles, favorece o surgimento de sintomas depressivos, por exemplo.

A endocrinologista Amanda Athayde, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), revela que hormônios desregulados também são responsáveis pela depressão, e cita como exemplos os hormônios da tireoide e os ovarianos. 

Alterações hormonais também favorecem o surgimento da doença. Foto: Pexels

Distúrbios da tireoide como o hipotireoidismo (queda na produção dos hormônios), também favorecem o surgimento de sintomas comuns à depressão, como fadiga, alterações do sono, ganho de peso, desânimo e outros. Segundo informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), a depressão não causa problemas na tireóide, mas é importante que o profissional saiba diagnosticar doenças endócrinas nas alterações psiquiátricas. 

“No caso da depressão por problemas na tireoide são comuns sintomas como: cansaço, inchaço, sonolência, câimbras, dormências, entre outros. Os ovarianos também causam os mesmos problemas durante a TPM ou na menopausa. Na TPM, os sintomas aparecem antes da menstruação e desaparecem com a mesma. Na menopausa, as queixas mais comuns são ondas de calor, irregularidade ou ausência da menstruação”, afirmou Amanda Athayde. 

Como identificar o problema?

Diferente do sentimento de tristeza que pode levar algumas horas e dias, a depressão quando não tratada pode durar meses e até anos. Os principais sintomas que caracterizam a doença são: alterações de peso, distúrbios de sono, fadiga, culpa excessiva, dificuldade de concentração, baixa autoestima e alterações na líbido. 

O diagnóstico é feito por meio de uma análise clínica a fim de  investigar a origem e a causa dos sintomas. Se um paciente tende a sentir mais de quatro sintomas por um período maior que duas semanas, é essencial buscar ajuda médica. 

Há casos em que o tratamento da depressão poderá ser realizado, apenas, com psicoterapia. No entanto, em casos mais graves são indicados medicamentos como ansiolíticos e até antipsicóticos. 

Campanhas de prevenção são essenciais no combate ao problema, pois ajudam a esclarecer a população e a combater o estigma social contra todas as pessoas que passam pelo problema. A existência dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) presentes nos municípios têm ainda maior importância porque oferecem ajuda a pessoas de baixa renda. Dados do Ministério da Saúde revelam que a existência dessas unidades reduz em até 14% novos óbitos causados por suicídio. 

As pessoas contam, ainda, com o apoio do CVV (Centro de Valorização da Vida), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas. 

Desde julho de 2018, a ligação para o 188 do CVV passou a ser gratuita em todo o país por meio da parceria com o Ministério da Saúde. O atendimento pode ser feito por telefone, e-mail e chat, todos os dias da semana, durante 24 horas por dia. 

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