BEM ESTAR
Sinal de estresse? Está na hora de saber avaliar e administrar
Estresse, uma das palavras mais faladas nos dias de hoje. Mas o que ele significa, você sabe? O neurologista Leandro Teles nos ensina como lidar com ele.
Neurologista explica os diferentes tipos de estresse e onde está o perigo.
Para maior bem-estar, aprenda a avaliar e administrar o seu estresse. (Foto: Pixabay)

O estresse é um conjunto de ajustes físicos e mentais necessários para otimizarmos nossa performance corporal e cerebral em momentos mais complicados da vida. Parece algo bom, certo? Certo. O problema não é o estresse em si, mas a frequência e a intensidade em que acionamos esse sistema alternativo de funcionamento. Quando ficamos estressados geramos uma cascata de alterações metabólicas onde priorizamos a resolução de determinado problema, com efeito adverso abdicamos de uma série de questões não prioritárias naquele momento.

Os efeitos do estresse agudo

O estresse agudo leva a um aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, com isso, o sangue circula mais rápido e os músculos conseguem desenvolver uma performance melhor. As pupilas se dilatam, vemos o todo com baixa percepção de detalhes e nitidez. O cérebro reduz o limiar de decisão, o foco no problema distorce a percepção do que não está em jogo naquele momento. Ficamos menos sensíveis às mudanças ambientais e aos sinais do nosso corpo (sentimos menos dor, vontade de ir ao banheiro, etc.). Existe uma grande liberação de adrenalina e cortisol no sangue. É um sistema que nasceu para ser acionado apenas de vez em quando.

Aprenda a lidar com o estresse

Fica fácil notar que o estresse não é um evento sustentável. Na sua forma reacional, intermitente e infrequente ele é saudável. Porque ele é um colorido da vida, um tempero em nossa insossa existência, um toque de vermelho em uma composição sem graça da rotina e do tédio.

Entretanto, em sua forma crônica, intensa ou muito frequente, o estresse vira um veneno. O estresse arrastado e desmedido lesa o corpo e mina as relações interpessoais. Derruba a imunidade, piora completamente o perfil cardiovascular (agravando o diabetes, a hipertensão, o colesterol alto), descontrola o peso (para mais ou para menos), altera nossa função gastrointestinal, atrapalha o sono, o humor e a performance sexual.

Do ponto de vista neurológico, viver mergulhado no estresse, significa perder os detalhes, dar respostas aceleradas e imperfeitas às perguntas que a vida nos impõe.

O que notar quando ficamos estressados

Estressados percebemos menos o outro, não enxergamos alternativas sutis, somos inábeis e nada criativos. Ficamos mais irritados, impacientes. O cérebro estressado não dá conta de um rendimento refinado, diferenciado e em alto padrão. O raciocínio fica mais no reflexo, ocorre erros de julgamento e tomadas de decisão ficam comprometidas, uma vez que se prioriza os resultados a curto prazo, uma espécie de controle de danos sem fundamento.

Avalie o seu nível de estresse

Como vimos, o que define o risco do estresse é a dose, o tempo e o contexto. Por isso, observe-se mais no dia a dia e invista em atividades físicas, lazer, medidas de relaxamento, repouso, etc. Você colherá os frutos tanto na saúde física como no rendimento cerebral a curto, médio e longo prazos.

Membro da Academia Brasileira de Neurologia, formado e Especializado na Universidade de São Paulo, aborda temas sobre mente e cérebro.