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Fertilidade: Um tema que preocupa você? Leia essa entrevista
Quase não falamos sobre concepção humana, entre a ciência e o desconhecido. O Mais Mulher conversou com o ginecologista Bruno Ramalho, especialista em fertilidade.

Seja por determinação divina, força da natureza, descarga energética, obra do destino ou, simplesmente, o acaso, o acontecimento do ser humano tem seu certo mistério por fatores que transcendem o científico.

Esta parcela de mistério pode ser um fator determinante para o sucesso da concepção humana?  A fertilização in vitro e as tecnologias reprodutivas estão para dar suporte para que este mistério aconteça. É muito importante frisar que os tratamentos não garantem que a gravidez vá acontecer. De forma generalizada, podemos dizer que o sucesso da fertilização in vitro é atingido em 40% a 50% dos casos, nos melhores cenários, ao passo que nos tratamentos de baixa complexidade a gravidez acontece em 15% a 20% das vezes.

A idade da mulher, por exemplo, é um importante fator para fertilização in vitro: para uma mulher com 40 anos ou mais que utiliza seus próprios óvulos, o sucesso não deve ser esperado em mais de 15% dos casos.

Entenda melhor:

Como é feito o diagnóstico de infertilidade?

O diagnóstico de infertilidade conjugal é dado a casais que tentam engravidar por pelo menos um ano, sem sucesso, com relações sexuais frequentes sem qualquer método contraceptivo. A infertilidade pode ser consequência de uma grande diversidade de fatores que, sozinhos ou em conjunto, dificultam a gestação.

Principais causas da infertilidade feminina?

Entre as causas femininas, merecem destaque: a síndrome dos ovários policísticos, que leva à ausência de ovulação (problemas da ovulação podem atingir até 40% das causas femininas); a endometriose, que pode levar a obstrução ou mau funcionamento das trompas, entre outras alterações do aparelho reprodutivo; as doenças do útero, como os miomas ou pólipos que invadem a cavidade do órgão e as malformações (doenças de pelve ou das trompas podem atingir outros 40% das causas femininas). Dez por cento dos casos de infertilidade feminina não têm causa aparente e outros 10% ocorrem por causas pouco usuais.

Condições como obesidade, tabagismo e passado de infecções sexualmente transmissíveis também podem contribuir com a dificuldade de ter filhos e, por fim, não se pode esquecer da idade da mulher como um fator determinante para a fertilidade nos dias atuais.

Idade da Mulher x Fertilidade: que relação é essa?

Sabe-se que tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos femininos caem à medida que a idade da mulher aumenta e que uma parcela significativa das candidatas à maternidade tardia pode estar inférteis quando desejarem engravidar.

A desinformação sobre essa relação inversa entre idade e fertilidade é muito presente no dia a dia de consultório. De acordo com um estudo norte-americano publicado em 2012, metade das mulheres ficariam chocadas ao serem informadas sobre a possibilidade de haver uma queda da fertilidade a partir dos 35 anos de idade.

E o que podemos fazer?

Para as mulheres com idade inferior a 34 anos (considerada uma faixa etária de conforto), devemos orientar que não esperem muito para engravidar, principalmente se há o desejo por mais de um filho. A faixa etária entre 35 e 40 anos deve ser considerada decisiva para a fertilidade. Não aprovo a disseminação do pessimismo exagerado, mas é recomendável que se iniciem as tentativas de engravidar o quanto antes ou que se busque orientação de um especialista, caso ainda não seja, individualmente, momento ideal para a procriação. Depois dos 40 anos, enfim, fica mais difícil realizar o sonho da maternidade biológica.

A hereditariedade influencia?

Pouco. Há indícios de que a endometriose possa ser uma doença familiar, mas nem sempre ela está presente nas irmãs ou mães das mulheres com a doença.

Entre as mulheres, qual é a média de casos?

No período de um ano, acredita-se que aproximadamente 85% dos casais normais conseguirão a gravidez espontânea e que apenas 10 a 15% não a consigam sem tratamento especializado. A idade da mulher é, sem dúvida, um fator muito importante para o potencial reprodutivo. Estima-se que 75% das mulheres que iniciam as tentativas de engravidar aos 30 anos terão filho em 12 meses, enquanto apenas 44% o farão quando o início das tentativas ocorre aos 40 anos de idade.

Tratamentos disponíveis em diferentes casos:

O tratamento da infertilidade pode ser de baixa ou de alta complexidade. O que diferencia a baixa complexidade da alta é, basicamente, o local onde acontece o encontro entre o óvulo e o espermatozóide. Na baixa complexidade, óvulos e espermatozóides encontram-se dentro do corpo da mulher, mais comumente nas trompas. Na alta complexidade, o encontro acontece no laboratório de reprodução assistida.

A baixa complexidade inclui o coito programado, que se destina efetivamente às mulheres com problemas de ovulação (ausência ou frequência diminuída), e a inseminação intrauterina, esta mais conhecida como inseminação artificial, que é bem indicada nos casos em que há problemas masculinos leves, na infertilidade sem causa aparente, na maternidade independente (quando não existe um parceiro e recorre-se ao sêmen de um doador anônimo) ou nas uniões homoafetivas.

A alta complexidade contempla o que formalmente se considera reprodução assistida, a fertilização in vitro. Inicialmente, foi indicada para mulheres com as trompas obstruídas, mas hoje há uma lista vasta de indicações possíveis. Atualmente, daria destaque a duas situações específicas: a endometriose, uma doença muito em destaque ultimamente, e a preservação da fertilidade em mulheres que recebem diagnóstico de câncer e congelam seus óvulos antes do tratamento (quimioterapia ou radioterapia).

O sucesso no tratamento

É muito importante frisar que os tratamentos da medicina reprodutiva (mesmo a fertilização in vitro) não garantem que a gravidez vá acontecer. De forma generalizada, podemos dizer que o sucesso da fertilização in vitro é atingido em 40% a 50% dos casos, nos melhores cenários, ao passo que tratamentos de baixa complexidade levarão à gravidez em 15% a 20% das vezes. A idade da mulher, por exemplo, é um dos fatores importantes a influenciarem as taxas de gravidez em fertilização in vitro: para uma mulher com 40 anos ou mais que utiliza seus próprios óvulos, o sucesso não deve ser esperado em mais de 15% dos casos.

Bruno Ramalho Perfil

Dr. Bruno Ramalho é ginecologista e obstetra, especialista em Fertilidade, Reprodução e Saúde da Mulher. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da International Society for Fertility Preservation (ISFP).

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