AMOR
Relacionamento abusivo é um dos temas mais pesquisados na internet
Este dado levanta questões: Por que tanta gente está buscando respostas sobre? Qual é a qualidade dos relacionamentos que há por aí? Como vai a nossa relação?
Tema é um dos mais buscados na internet. Psicóloga esclarece do que se trata e como identificar sinais de relacionamento abusivo.
Relacionamento abusivo, será que você ou a sua companhia tem atitudes nada saudáveis? (Foto: Pexels)

Para entender melhor o que é relacionamento abusivo e que tipo de situação o caracteriza, trazemos aqui informações da psicóloga Raquel Silva Barretto, graduada na Universidade Federal Fluminense e mestranda em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz, na sub-área Violência e Saúde, que em entrevista concedida ao site Repórter Unesp esclareceu pontos importantes sobre o assunto.

Dúvidas comuns sobre Relacionamento Abusivo

1. Para começar, o que caracteriza o relacionamento abusivo?

Relação abusiva é aquela onde predomina o excesso de poder sobre o outro. É o “desejo” de controlar o parceiro, de “tê-lo para si”. Esse comportamento, geralmente, inicia de modo sutil e aos poucos ultrapassa os limites causando sofrimento e mal-estar.

É difícil definir quando um relacionamento é abusivo, porém.

Os principais indicativos de uma pessoa abusiva são:

  • Ciúme e possessividade exagerados;
  • Controle sob as decisões e ações do parceiro;
  • Querer isolar o parceiro até mesmo do convívio com amigos e familiares;
  • Ser violento verbalmente e/ou fisicamente;
  • Pressionar ou obrigar o parceiro a ter relações sexuais.

2. Em quais relacionamentos estas situações ocorrem?

Apesar da maior evidência do tema em casais heterossexuais, o abuso pode ocorrer em qualquer relação, sendo pessoas do mesmo sexo ou não. E sobre a idade, adolescentes também têm sofrido algum tipo de abuso no namoro segundo estudos recentes.

3. Por que algumas pessoas não conseguem sair de um relacionamento abusivo?

A nossa sociedade persiste na cultura da culpabilização das vítimas. Percebemos ao longo dos atendimentos que as pessoas nos procuram (99% são do sexo feminino) relatando um extremo cansaço e desgaste na relação, porém, ainda questionam se esse abuso teria sido por culpa delas ou se o parceiro de fato é assim. Questionam também seus papéis sociais, e a visão dos outros: “o que vão achar” e “se acharão que o erro foi delas”. Acreditam inicialmente na mudança desse parceiro.

4. Como perceber que se trata de um relacionamento abusivo e o que fazer?

É preciso atenção aos sinais e excessos em relação ao controle: possessividade, ciúmes, violência, agressividade, e questionar se tais atitudes têm causado desconforto ou mal-estar. É possível que a pessoa descubra que também comete abusos em suas atitudes. Ou seja, um relacionamento abusivo também pode ser percebido do ponto de vista de quem comete os abusos e não necessariamente de quem sofre, ambos podem estar cometendo abusos um contra o outro e sequer se dão conta. Ao perceber que está sofrendo um abuso ou que está sendo abusivo é fundamental um apoio especializado com um psicólogo, por exemplo. Amigos e familiares são importantes nessa hora para criar/fortalecer laços sociais, que façam a pessoa sentir-se segura, ouvida e acolhida.

5. Quais são as principais dificuldades notadas para sair de um relacionamento abusivo?

As principais dificuldades costumam ser:

Emocionais e afetivas – Insegurança e incerteza diante do que virá, medo de ficar desamparada (o), medo de reações do parceiro, crença de que o parceiro poderá mudar as atitudes e “ser uma boa pessoa”, medo de ficar sozinha (o), crença de que não conseguirá se restabelecer e seguir em frente.

Questões legais e jurídicas – Desgaste por tempo e/ou burocracia, falta de conhecimento sobre leis de proteção contra a vítima nesses casos.

Sociais – A relação abusiva pode ter isolado a vítima que ficou distante dos seus familiares e amigos.

Econômicas – Principalmente quando a vítima depende da outra pessoa.

Embora as dificuldades estejam presentes, é essencial que a pessoa busque ajuda psicológica especializada e conte com outras pessoas, seja de amigos, familiares, colegas ou grupos de apoio.

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