AMOR
Sonhar com a pessoa amada quer dizer algo? A ciência estudou a origem dos sonhos
Em vez de ficar supondo possíveis significados místicos e espirituais, leia o que o médico Leandro Teles compartilhou de informação com a gente.

O sonho é uns dos eventos biológicos mais fascinantes de que se tem notícia. Enquanto o corpo está lá, inerte e paralisado, a mente vaga por mundos intrigantes, fantásticos, improváveis e livres da contenção sem graça da realidade.

Para uns, o espírito deixa a matéria e vaga por dimensões alternativas, para outros, desejos reprimidos afloram do subconsciente, outros ainda acreditam em um poder premonitório expresso em uma simbologia universal. O que será que a ciência tem a dizer sobre isso? O neurologista Leandro Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia, formado e especializado pela Universidade de São Paulo (USP) nos deu algumas respostas.

O que ocorre no cérebro durante os sonhos?

Do ponto de vista puramente científico, o sonho é uma criação e uma vivência puramente cerebral e fisiológica. Quando dormimos ocorre lentificação progressiva da atividade cerebral, redução da percepção do ambiente externo e relaxamento muscular. Eis que, na hora do sono, a atividade cerebral se altera. Surge franca atividade cognitiva, várias áreas e funções se ativam, como a memória, emoções, a criatividade, etc. Os olhos passam a se mover de um lado para o outro, mesmo abaixo das pálpebras. É como se o cérebro despertasse para dentro de si. A despeito dessa franca atividade, o corpo mantém-se inerte e paralisado, assim como a franca redução da percepção do ambiente ao seu redor. É um momento fisiológico único, no qual o cérebro fecha suas entradas sensoriais e suas saídas motoras, mas apresenta franca atividade mental.

Por que sonhamos?

O sonho provavelmente apresenta diversas funções. Do ponto de vista cognitivo, imagina-se que ele tenha funções de ajustes importantes no aprendizado. Esquecer aquilo que não importa, consolidar memórias relevantes, organizar os arquivos mentais, etc. Também é um exercício mental de criatividade, confrontação de dilemas conscientes e inconscientes, de  autoconhecimento, etc. Algumas construções são uma montanha russa emocional, a falta de entrada sensorial e a baixa atividade dos lobos frontais (região da razão e da crítica) torna o enredo por vezes bastante confuso e improvável para a vida real.

O que determina o que sonhamos?

O enredo do sonho é fruto de um emaranhado de memórias com intenso componente emocional e fantasioso. Grande parte do que sonhamos a noite refere a coisas que vivenciamos no dia anterior ou nos dias anteriores. O sonho é uma colcha de retalhos com personagens, símbolos, alegorias, ambientes que afloram do nosso arsenal de vivências, mas dispostos de forma meio errática. Podemos misturar pessoas que nunca se encontraram, ambientes distantes em muitos quilômetros, vale pessoas mortas, eventos sobrenaturais, etc. Essa confusão é fruto da falta de filtro frontal (local da crítica, lógica e razão) e da falta do feed back ambiental (uma vez que estamos pouco reativos aos estímulos do meio).

Um sonho pode predizer o futuro?

Não existe nenhuma evidência nesse sentido. Obviamente que se trata de uma atividade mental baseada na nossa vivência atual e prévia (passado e presente). Logo, podem surgir imagens e situações que podem ser reproduzidas no nosso futuro, seja por acaso, seja por projeção racional (prever o futuro com base no presente ou no passado), seja pela crença de que isso vai ocorrer. Se alguém acreditar que sonhar com cobra significa traição, por exemplo, ou que cair o dente significa morte de alguém da família… Isso pode realmente acontecer pois ele já sabe (mesmo que inconscientemente) que está sendo traído ou que alguém está morrendo (por isso sonhou); ou mesmo pode ser uma coincidência, já que não são eventos tão improváveis assim; ou pode ser que alguém descubra uma traição por ter ido atrás dessa “evidência” vista no sonho. Se eu jogo no bicho apenas quando sonho com um número ou um animal, obviamente se um dia eu ganhar será por conta do sonho. Isso não prova uma associação causal inequívoca.

neurologista leandro teles

Neurologista Leandro Teles – Membro da Academia Brasileira de Neurologia. Formado e Especializado na Universidade de São Paulo.

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