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Depressão ou tristeza? Neurologista diz como avaliar
A Organização Mundial da Saúde aponta a depressão como o transtorno mental mais comum no mundo e as mulheres são mais suscetíveis a desenvolverem o problema.

A oscilação hormonal da tensão pré-menstrual, gravidez e menopausa é o principal fator, mas aspectos sociais também influenciam. Saiba que 1 entre 4 mulheres sofre de depressão pós-parto no Brasil segundo pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

E atenção, fumantes! Pesquisadores da University College London, no Reino Unido, identificaram que quem fuma está 70% mais propenso a sofrer de depressão e ansiedade.

Quem nunca passou por períodos difíceis na vida com sentimento de angústia e desânimo? Há horas em que tudo parece sem propósito, fato. O importante é saber o limite entre a oscilação natural do humor e um quadro de depressão. O Mais Mulher conversou com o neurologista Leandro Teles sobre as dúvidas mais frequentes.

1. Quais os sintomas mais comuns da depressão?

A depressão causa tanto sintomas psíquicos (mentais) como sintomas físicos.

Sintomas Mentais: Tristeza contínua, angústia, desesperança e sentimento de culpa. O paciente perde o prazer em fazer coisas que antes lhe davam prazer. São comuns também: medo desmotivado, irritabilidade, mau humor, vontade repentina de chorar, etc.

Sintomas Físicos: Cansaço constante, alteração de sono (dormir muito ou dormir pouco), oscilação de peso (ganho ou perda de peso), dores de cabeça ou pelo corpo, disfunção sexual, desatenção, esquecimentos, etc.

2. Diferença entre tristeza e depressão

Todo mundo passa por problemas na vida e tem todo o direito de ficar triste nesses momentos. Na depressão, no entanto, a resposta é totalmente desproporcional aos acontecimentos, seja em intensidade, seja em duração dos sintomas. O paciente perde o poder de reação e perde a capacidade de apreciar as coisas boas que o cercam. Os sintomas devem ser evidentes e com duração de pelo menos 2 semanas, ocorrendo em várias situações do dia a dia e causando comprometimento da qualidade de vida.

3. Quais são os principais tipos de depressão?

A depressão pode ser dividida de diversas formas. Pela intensidade podemos dividir em depressão maior (mais intensa) e depressão menor (menos intensa). Quanto à duração podemos dividir em crônica (contínua) e episódica (em surtos). Existe depressão com mais sintomas de ansiedade, outras entremeadas com episódios de franca euforia (transtorno bipolar), algumas muito graves com psicose e ideação suicida, outras bem discretas com expressão apenas de mau humor e irritabilidade crônicas (chamamos de distimia), etc.

4. Não tratar a depressão é um problema?

Além do impacto social, escolar e profissional causado pela depressão não tratada, o paciente ainda pode desenvolver complicações clínicas. Quem sofre de depressão tem maior risco de desenvolver hipertensão, diabetes tipo 2, aumenta também o risco de infarto e derrames. Isso sem falar na queda da imunidade, que facilita o aparecimento de infecções e até tumores malignos. Por tudo isso o combate à doença deve ser precoce e incisivo.

5. Com o diagnóstico de depressão, o que fazer?

A primeira orientação é procurar ajuda especializada. Um clínico de confiança, um médico neurologista ou mesmo um psiquiatra. Tentar livrar-se dos sintomas sem ajuda é uma atitude menos efetiva, uma vez que a percepção dos sintomas e o poder de reação ficam limitados pela depressão.

O tratamento da depressão é feito com medicamentos, que devem ser escolhidos e personalizados caso a caso. A eficiência do medicamento é muito boa, lembrando que demoram de 2 a 6 semanas para começarem a agir, por isso deve-se ter um pouco de paciência no início.

Além do medicamento, é fundamental que o paciente pratique atividades físicas, procure não se afastar de suas atividades sociais, tenha com quem conversar sobre seus problemas (com amigos, familiares ou mesmo um terapeuta). O tratamento exige uma reprogramação dos hábitos de vida para um alívio satisfatório e sustentável dos sintomas depressivos.

neurologista leandro teles

Neurologista Leandro Teles – Membro da Academia Brasileira de Neurologia. Formado e Especializado na Universidade de São Paulo.

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